quinta-feira, 20 de agosto de 2009

DÊ DÁ VER

Quem ama é fiel
É para o seu bem
Primeiro a obrigação, depois o prazer
Sobremesa, só depois da comida
Homens, racionais. Mulheres, emotivas
Casamento é para sempre
Para as rugas, cirurgia
Você não vai querer que pensem que você...
Ou vai?

domingo, 2 de agosto de 2009

O QUARTO MÁGICO

Risos e confissões. E só isso bastaria para pensar o quão íntimos somos um do outro. Entretanto, existe um hiato. Forjado na solidão mais pura e branda que, em vez de ser triste, liberta. Há como tocar minha pele mas, quase impossível, é tocar minha alma. Precedida por uma poeira fina, acintosamente grudada nos poros, ela se retesa no corpo que a protege. Rasga-se em ruídos quando alguém tenta alcançá-la. Agarra-se a mim quando quero expulsá-la para que sinta o que há lá fora. Há certo tempo, ela se contenta em ficar entre as quatro paredes de um quarto mágico. Recôndito e trancado. E feito mais por silêncios do que por palavras.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

FREE?

Minha liberdade foi vendida como uma prostituta barata sem que houvesse, ao menos, negociação da minha parte. Olhei para as cinzas, o cigarro se desintegrando e meu direito à escolha sendo cruelmente estuprado. Não posso mais me fazer mal – ao menos, não no andar em que trabalho. Não me cabe mais o espaço privado para a prática de queimar meu Free sem prejudicar gente chata e “saudável”. Questão de saúde pública é a justificativa. Mas se queimassem neurônios em vez da paciência alheia, veriam que nesse mesmo critério cabem tantas, mas tantas proibições que o precedente abre a possibilidade de vivermos condenados à ditadura da saúde. A minha alma punk grita, enquanto os estupradores continuam a festa. Segunda-feira, como num crime perfeito, não haverá mais vestígios do fato consumado. Apenas corpos, como o meu. Em abstinência resignada e recuperação forçada. Que é pra aguentar o tranco do próximo estupro inevitável.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

SURREALISTA SIM

Crua e pálida, como uma rosa esfacelada, ela acorda pela manhã. Então anda, olha o movimento das ruas e se imagina nas vidas das pessoas que correm pelas esquinas. Pensa nas histórias dos passantes, em seguir algum desconhecido por um dia, em mudar o caminho sem motivo. Mas, às 10h30m, o sinal toca. Ela não é mais uma rosa pálida. Transformou-se num bebê, bonitinho, meio de canto, com todo o potencial do planeta para aprender, mas que nem sempre é levado a sério. Eles lhe dão papinha para comer. E ela come, humilde e resignadamente porque sabe que já desperdiçou algumas papinhas no meio do caminho. E, nessa vida, quem desperdiça, acaba desperdiçado. Sôfrega, teme e se questiona. Como quem quer descobrir se tem boca para comer direitinho, como todo mundo pede. Ela, definitivamente, quer passar de fase, alguns aplausos e um "que bonitinho" de verdade, sem média. Porque, no fundo, ela sabe que é capaz de transformar pedra em água. É que, às vezes, ou melhor, muitas vezes, ela se perde, se acha, se perde, se acha... O relógio toca novamente. Não é mais o bebê que dá às caras. Dessa vez, deita no travesseiro a mulher que ela sempre quis ser quando tinha quinze anos de idade. Aquela que inventou na mente e virou realidade. Mas no dia seguinte.... o relógio toca.